Introdução de Espécies Exóticas

Em seus deslocamentos pelas diversas regiões da Terra, os viajantes humanos transportam, deliberadamente ou não, espécies biológicas de um local para o outro. Dessa forma, espécies nativas de uma região podem ser introduzidas em locais onde elas não existiam anteriormente. Essa introdução de espécies exóticas tem causado, em diversas regiões, desequilíbrios ambientais, afetando os ecossistemas antigos.

Problemas Causados Pelo Aguapé

O aguapé (Eichhornia crassipes) é uma planta aquática originaria da América do Sul, introduzida em diversas regiões do mundo como planta ornamental. Nos Estados Unidos, o aguapé invadiu descontroladamente o rio Mississipi e causou prejuízos à navegação. Essa planta também se espalhou pela Indonésia, pelas Filipinas, pela Austrália, além de diversas ilhas do Pacífico, Indonésia, Índia e Sri Lanka. Muitos recursos têm sido gastos na tentativa de eliminar, ou pelo menos controlar, a expansão do aguapé em diversas regiões do mundo.

 

O aguapé causou diversos problemas no rio Mississipi.

O Figo-da-índia na Austrália

Em 1839 foi introduzido, na Austrália, um único exemplar da planta cactácea Opuntia inermis, popularmente conhecida como figo-da-índia. Essa espécie é originária da América do Sul e não existia anteriormente no continente australiano.

O figo-da-índia adaptou-se tão bem às condições da Austrália que, no final do século XIX, os descendentes da primeira planta já cobriam cerca de quatro milhões de hectares da superfície do país. Em 1920, o figo-da-índia já ocupava quase 25 milhões de hectares e a tendência era ocupar 4 milhões de hectares por ano. Grandes áreas utilizáveis para criação de gado foram cobertas por essa planta, tornando-se inúteis para essa atividade produtiva.

O figo-da-índia foi considerado uma praga na Austrália

 

Os australianos fizeram várias tentativas para controlar o figo-da-índia, com pouco resultado. Finalmente, em 1925, surgiu a ideia de introduzir na Austrália a pequena mariposa Cactoblastis cactorum, cujas larvas se alimentam do figo-da-índia. O resultado foi fulminante: a população de figo-da-índia foi praticamente eliminada, tão rapidamente quanto havia proliferado.

O figo-da-índia foi fulminado na mesma rapidez em que ele foi disseminado

 

O Coelho na Austrália

O coelho-europeu, Oryctolagus cuniculus, é originário das regiões mediterrâneas. Em 1859, 24 casais dessa espécie foram levados à Austrália, onde encontraram um ambiente extremamente favorável, com comida farta e praticamente nenhum parasita ou predador que regulasse o tamanho de sua população.

O coelho europeu é originário do sul da Europa.

 

Apenas 18 anos após sua introdução, em 1877, a população de coelhos havia atingido um tamanho tão grande que os australianos promoveram uma enorme caçada. Naquela ocasião foram abatidos cerca de 20 milhões de animais, mas, mesmo assim, não se conseguiu controlar o crescimento dessa população.

Os coelhos devastaram as pastagens, deixando as ovelhas, principal atividade econômica da região, praticamente sem alimento e causando prejuízos incalculáveis à economia do país. Os australianos construíram uma gigantesca cerca que dividia grande parte do continente e cujo objetivo era impedir que os coelhos invadissem outras regiões.

Em 1950 foi deliberadamente introduzido na Austrália um vírus nativo da América do Sul e causador de uma doença de coelhos, a mixomatose. O vírus, transmitido por mosquitos sugadores de sangue, não representava perigo para as espécies nativas, visto que atacava somente coelhos e umas poucas espécies de lebres.

O coelho europeu causou tantos problemas na Austrália, que o governo de lá teve que tomar medidas radicais como caçadas e colocar um muro gigante para os coelhos não se espalharem ainda mais pelo país

 

Como a população de coelhos era enorme, o vírus disseminou-se rapidamente, causando a morte de 99% dos animais existentes. Alguns coelhos sobreviventes, no entanto, mostraram-se resistentes ao vírus, e essa condição passou a ser transmitida à descendência.

Por outro lado, o vírus originalmente introduzido era tão fatal que os coelhos infectados morriam rapidamente, antes de transmitir a doença. Com isso, os vírus mais violentos eram eliminados junto com seus hospedeiros, antes de se espalhar, enquanto linhagens menos letais, causadoras de uma forma mais branda da doença, passaram a ser beneficiadas pela seleção natural.

Assim, ao mesmo tempo que coelhos com maior resistência ao vírus  foram selecionados, também ocorreu seleção de vírus menos letais e a população de coelhos voltou a crescer descontroladamente. O problema continua até hoje e causa enormes prejuízos financeiros ao país.

Fonte: Amabis M. José, Biologia. 3ª Edição. São Paulo. 2010.

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