E Não Sobrou Ninguém

Na primeira noite eles se aproximam, 
roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, 
matam nosso cão, 
e não dizemos nada.
Até que um dia 
o mais frágil deles 
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo o nosso medo
arranca-nos a voz da garganta.
E já não dizemos nada 

 Vladimir Maiakovski 

Castigo Corporal: Realidade (atual) nas Escolas Japonesas

Já foi época de ajoelhar no milho, ficar de pé no canto da sala, levar reguada na palma da mão e até ficar na “cadeira do pensamento”. Se você é brasileiro, talvez já ouviu falar sobre estes e outros castigos corporais que nossos pais e avós estão cansados de nos contar. Mas na semana passada, a mídia japonesa divulgou o resultado de uma pesquisa feita pelo Ministério da Educação do Japão sobre “castigos corporais” nas escolas japonesas. Segundo um dos jornais, o número de professores que agrediram seus alunos subiu nada mais nada menos que 17 vezes em relação ao ano anterior e alcançou a marca dos 6721 professores. Já outro jornal divulga o número de alunos que foram vítimas destes “castigos corporais”. Foram ao todo 14.208 alunos distribuídos em 4.152 escolas onde foram detectados os atos.

Ainda segundo os jornais japoneses, os atos, os quais eles insistem em chamar apenas de “castigos corporais” incluem atos como: socos, chutes, puxão de cabelo, além de bater com um pedaço de pau e deixar horas de pé. Sobre as condições dos alunos pós “castigos corporais”, mais de 80% foi considerado “sem ferimentos”, enquanto que 7.1% dos alunos tiveram contusões e 0.6% fraturas.

Texto originalmente publicado em Muito Japão.

A boa madeira

Na cidade japonesa de Nara, um pagode de madeira com 37 metros de altura permanece firme há 1.300 anos. Raras são as estruturas modernas similares, em parte devido ao medo de incêndios. Mas o arquiteto canadense Michael Green quer mudar essa situação, e projetou um arranha-céu de 30 andares em Vancouver. Segundo ele, os enormes painéis de madeira laminada são mais resistentes ao fogo que as vigas usadas na construção civil – do mesmo modo que os troncos são menos inflamáveis que os gravetos.

Ao contrário da produção de concreto e aço, que requer a emissão de muito dióxido de carbono, prédios de madeira armazenam carbono que, de outro modo, seria lançado na atmosfera com a queima de árvores. Londres tem um de nove andares para uso residencial, e há o projeto de um espigão de 16 pisos em Kirkenes, na Noruega. A meta de Green é proporcionar moradias acessíveis àqueles que hoje vivem em barracos precários como nas favelas brasileiras. – Por Alex Hoyt

Texto originalmente publicado em: National Geographic.

Outras estruturas de madeira:

Catedral de São Jorge, Guiana

Catedral de São Jorge, Guiana

Horyuji, Japão.

Templo Horyuji, Nara, Japão.

Arte do projeto em Vancouver, Canadá.

Arte do projeto em Vancouver, Canadá.

Torre de rádio em Gliwice, Polônia.

Torre de rádio em Gliwice, Polônia.

Em contradição

Orioto usa elementos de realismo para acentuar a fantasia presente nos games

Mikäel Aguirre, ou Orioto se preferir

Mikäel Aguirre, ou Orioto se preferir

Flávio Croffi

Mikäel Aguirre, mais conhecido como Orioto, é um cara de poucas palavras. Nascido e criado em Paris, na França, sempre adorou a arte feita em computador.

“Lembro de tentar [sic] usar um software em um Mac nos anos 1990. Mas comecei a trabalhar com isso apenas depois que me formei, quando tinha uns 20 anos”, disse. “Nunca estudei aquilo. Sempre me diverti muito com arte digital. E de forma extensiva.”

Para criar o desenho que faz parte do GameArt desta edição, o rapaz basicamente mergulhou fundo em suas memórias de infância. “Mais do que qualquer outra coisa”, afirma. Apesar de preferir os jogos antigos, tem todos os consoles atuais.

Aguirre não tem um herói favorito. Porém, gosta dos personagens de Final Fantasy VI, título que o “tocou emocionalmente”. Neste caso, sua preferência fica para Cyan, que conta com uma história excelente. Em sua galeria online, porém, há diversas telas inspiradas em jogos. Entre eles, muitos clássicos da Nintendo, como Super Mario Bros. e Bomberman, da Hudson. Mas há também trabalhos inspirados em Pac-Man, Sonic e Alex Kidd.

Para criar suas artes, Orioto usa algum tipo de inspiração real para transformar os visuais colorido dos games em algo mais puxado para a realidade. Tudo isso feito com uma pequena mesa de desenho para computador e softwares de edição de imagem.

Quem se interessar, pode comprar algum dos seus pôsteres no site http://orioto.devianart.com/.

Confira aqui embaixo alguns dos trabalhos de Orioto.

Mais uma imagem com alusão à uma fase do Super Mario World

Uma imagem com alusão a uma fase do Super Mario World

"Um retrato" mais realista de uma das fases do Super Mario World

Mais “um retrato” mais realista de uma das fases do Super Mario World

Os saudáveis Ice Climbers.

Os saudáveis Ice Climbers.

Texto originalmente publicado em Nintendo World, nº 162.

Um Pequeno Poema Judeu

Que você tenha mil casas

com mil quartos em cada casa

e mil camas em cada quarto.

E que durma toda noite 

numa cama diferente, num quarto diferente,

numa casa diferente, e levante toda manhã

e desça uma escada diferente,

e entre num carro diferente,

dirigido por um chofer diferente, 

que o leve a um médico diferente

– e que ele também não saiba qual é o seu problema!

 

Originalmente publicado em: Ackerman, Diane. O zoológico de Varsóvia, editora Nova Fronteira, pg. 177.

Introdução de Espécies Exóticas

Em seus deslocamentos pelas diversas regiões da Terra, os viajantes humanos transportam, deliberadamente ou não, espécies biológicas de um local para o outro. Dessa forma, espécies nativas de uma região podem ser introduzidas em locais onde elas não existiam anteriormente. Essa introdução de espécies exóticas tem causado, em diversas regiões, desequilíbrios ambientais, afetando os ecossistemas antigos.

Problemas Causados Pelo Aguapé

O aguapé (Eichhornia crassipes) é uma planta aquática originaria da América do Sul, introduzida em diversas regiões do mundo como planta ornamental. Nos Estados Unidos, o aguapé invadiu descontroladamente o rio Mississipi e causou prejuízos à navegação. Essa planta também se espalhou pela Indonésia, pelas Filipinas, pela Austrália, além de diversas ilhas do Pacífico, Indonésia, Índia e Sri Lanka. Muitos recursos têm sido gastos na tentativa de eliminar, ou pelo menos controlar, a expansão do aguapé em diversas regiões do mundo.

 

O aguapé causou diversos problemas no rio Mississipi.

O Figo-da-índia na Austrália

Em 1839 foi introduzido, na Austrália, um único exemplar da planta cactácea Opuntia inermis, popularmente conhecida como figo-da-índia. Essa espécie é originária da América do Sul e não existia anteriormente no continente australiano.

O figo-da-índia adaptou-se tão bem às condições da Austrália que, no final do século XIX, os descendentes da primeira planta já cobriam cerca de quatro milhões de hectares da superfície do país. Em 1920, o figo-da-índia já ocupava quase 25 milhões de hectares e a tendência era ocupar 4 milhões de hectares por ano. Grandes áreas utilizáveis para criação de gado foram cobertas por essa planta, tornando-se inúteis para essa atividade produtiva.

O figo-da-índia foi considerado uma praga na Austrália

 

Os australianos fizeram várias tentativas para controlar o figo-da-índia, com pouco resultado. Finalmente, em 1925, surgiu a ideia de introduzir na Austrália a pequena mariposa Cactoblastis cactorum, cujas larvas se alimentam do figo-da-índia. O resultado foi fulminante: a população de figo-da-índia foi praticamente eliminada, tão rapidamente quanto havia proliferado.

O figo-da-índia foi fulminado na mesma rapidez em que ele foi disseminado

 

O Coelho na Austrália

O coelho-europeu, Oryctolagus cuniculus, é originário das regiões mediterrâneas. Em 1859, 24 casais dessa espécie foram levados à Austrália, onde encontraram um ambiente extremamente favorável, com comida farta e praticamente nenhum parasita ou predador que regulasse o tamanho de sua população.

O coelho europeu é originário do sul da Europa.

 

Apenas 18 anos após sua introdução, em 1877, a população de coelhos havia atingido um tamanho tão grande que os australianos promoveram uma enorme caçada. Naquela ocasião foram abatidos cerca de 20 milhões de animais, mas, mesmo assim, não se conseguiu controlar o crescimento dessa população.

Os coelhos devastaram as pastagens, deixando as ovelhas, principal atividade econômica da região, praticamente sem alimento e causando prejuízos incalculáveis à economia do país. Os australianos construíram uma gigantesca cerca que dividia grande parte do continente e cujo objetivo era impedir que os coelhos invadissem outras regiões.

Em 1950 foi deliberadamente introduzido na Austrália um vírus nativo da América do Sul e causador de uma doença de coelhos, a mixomatose. O vírus, transmitido por mosquitos sugadores de sangue, não representava perigo para as espécies nativas, visto que atacava somente coelhos e umas poucas espécies de lebres.

O coelho europeu causou tantos problemas na Austrália, que o governo de lá teve que tomar medidas radicais como caçadas e colocar um muro gigante para os coelhos não se espalharem ainda mais pelo país

 

Como a população de coelhos era enorme, o vírus disseminou-se rapidamente, causando a morte de 99% dos animais existentes. Alguns coelhos sobreviventes, no entanto, mostraram-se resistentes ao vírus, e essa condição passou a ser transmitida à descendência.

Por outro lado, o vírus originalmente introduzido era tão fatal que os coelhos infectados morriam rapidamente, antes de transmitir a doença. Com isso, os vírus mais violentos eram eliminados junto com seus hospedeiros, antes de se espalhar, enquanto linhagens menos letais, causadoras de uma forma mais branda da doença, passaram a ser beneficiadas pela seleção natural.

Assim, ao mesmo tempo que coelhos com maior resistência ao vírus  foram selecionados, também ocorreu seleção de vírus menos letais e a população de coelhos voltou a crescer descontroladamente. O problema continua até hoje e causa enormes prejuízos financeiros ao país.

Fonte: Amabis M. José, Biologia. 3ª Edição. São Paulo. 2010.