An Image A 2013

Que o judaísmo tem mais ramificações que uma árvore, assim como o cristianismo, todo o mundo sabe, mas você conhece o Judaísmo Haredi? Haredi vem do hebraico e significa temente, eles também são conhecido como judeus ultraortodoxos. Eles tem costumes diferentes dos outros judeus, como as vestimentas e hábitos. Estão em alta por causa da taxa de natalidade e muitos em Israel não precisam trabalhar nem servir ao exército para se dedicar aos estudos bíblicos. Mas não vá chamando todo o mundo de Haredi, esse termo pode ser perjorativo algumas vezes. Veja algumas imagens deles:

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Haredim

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Um casamento de judeus ultraortodoxos, não há mulheres por causa da forte segregação de gênero. A cerimonia pode durar 10 horas.

Um casamento de judeus ultraortodoxos, não há mulheres por causa da forte segregação de gênero. A cerimonia pode durar 10 horas.

 

Algumas mulheres judias ultraortodoxas como Naomi Mahfud (à direita) se parecem muito mais com mulheres afegãs do que israelenses.

Algumas mulheres judias ultraortodoxas como Naomi Mahfud (à direita) se parecem muito mais com mulheres afegãs do que com mulheres israelenses.

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Um judeu ultraortodoxos e suas meninas, no Brookyn em Nova Iorque. O judaísmo ultraortodoxo tem outras ramificações, as meninas acima se vestem de uma maneira mais “moderna” do que as meninas da foto abaixo, mas todas são judias ultraortodoxas.

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Jogos e Livros de 2012

Como sou praticamente feito dessas coisas vou fazer uma listinha abaixo sobre o que joguei e li esse ano. A lista está em ordem cronológica e não preferencial.

Jogos:

Todos os meus jogos são de Wii, porque, bem… Eu só tenho Wii!

  1. Super Paper Mario

Um jogo pra lá de difícil com vários enigmas e mistérios; os gráficos são bem feitos e as passagens em 3D são o máximo! Não é muito aconselhável para quem não sabe muito de inglês, embora seja ótimo para quem conhece a língua, porque no jogo há vários diálogos (óbvio, é um RPG!) em diferentes níveis de inglês, como inglês caipira e informal, inglês comum e até inglês arcaico (inglês usado em Shakespeare e na Bíblia)! Para quem pensa que jogos não são intelectuais, é melhor rever seus conceitos!

2. Super Smash Bros Brawl

Simplesmente esplêndido! Quando comprei esse jogo fiquei curioso pelo sistema de batalhas que ele usa, na maioria dos jogos “normais” de luta, a personagem só ganha quando a energia ou sangue do adversário acaba, mas aqui não! O sistema é por porcentagem, ou seja, quando batem em você, sua porcentagem aumenta e quando ela está muito alta fica fácil de matar você. Além disso, há o modo de aventura e muitas, muitas coisas para se descobrir no jogo, se eu for citar todas elas, o post não ter mais fim!

3. New Super Mario Bros Wii

Dispensa apresentações, fantástico e extremamente criativo, assim como se espera do núcleo de desenvolvimento da Nintendo para a franquia mais vendida dos videogames. Divertido e desafiador, com fases dão vontade de jogar o tempo todo e fases que fazem você perder a cabeça, ora pela dificuldade da fase em si, ora pela dificuldade de achar os benditos itens! Destaque para o final épico com Bowser na última fase do Mundo 8.

É, esse ano eu não joguei muito, mas pelo menos os títulos são ótimos e não me decepcionaram!

Livros:

Esse ano eu também não li muito (romances), por causa dos meus estudos para o ENEM e UERJ! Bem, vamos às páginas agrupadas que contam uma história, que comumente chamamos de livros.

  1. O vento nos salgueiros

É, eu sei que sou grande demais para ler esse livro, mas como nunca tinha o lido na infância, resolvi ler no começo desse ano. É um livro meio esquisito, o livro se diz infantil (e é), porém tem algumas partes, digamos, adultas! Como numa parte em que crianças bebem cerveja (!), uma luta contra doninhas e a parte mais estranha (para mim): o encontro de alguns animaizinhos com o deus Pã! Há quem diga que essa parte é a parte mais bonita da história e coisa tal, mas sei lá, colocar uma criatura meio humana e meio bode num livro infantil; e além do mais depois do encontro com o deus, os animaizinhos esquecem tudo! No geral o livro é legal, porém já li livros infantis beeeem melhores que esse.

2. A guerra das salamandras

Salamandras escondidas num local remoto da Ásia são descobertas por um capitão europeu se reproduzem e destroem a humanidade, bem esse é um resumo do livro. Parece chato, mas REALMENTE NÃO É. As salamandras são boazinhas, mas você sempre tem a impressão de quando você menos esperar elas vão e… BOOM! Querem destruir a humanidade. O livro é uma paródia da corrida armamentista (um dos motivos para a 1ª Guerra Mundial [1914-1918]) e consumo desenfreado, já que nós humanos exploramos ao máximo a pobre das salamandras para fazer trabalhos árduos, só que esquecemos (como sempre) que elas são altamente inteligentes e depois elas se voltam contra nós, um livrão! Só não gostei muito do final porque o autor quebra a quarta parede.

3.  Ratos

Sabe aquele livro que você diz: “Ah, vou levar só porque a capa é legal.” E depois você chega a sua casa lê e diz: “Poxa, até que fim ser superficial valeu a pena!”. Simplesmente um dos raros livros que já li que dei nota 10! O livro fala sobre uma ratinha chamada Shelley (que é uma rata no sentido figurado, tá legal?) que fica calada sobre tudo, as pessoas a agridem, Shelley fica quieta, as pessoas a insultam, Shelley fica quieta, as pessoas fazem qualquer coisa e… Shelley fica quieta! Com uma personalidade assim fica difícil de aceitar que essa menininha vá matar um homem! Bem é melhor eu parar por aqui se não vou falar demais (se bem que eu já falei, ou escrevi?). O final é ótimo, para determinados tipos de pessoas.

4.  O zoológico de Varsóvia

Quanto mais nós ouvimos sobre a Segunda Guerra, mais ficamos impressionados, O Zoológico de Varsóvia é quase uma espécie de Diário de Anne Frank, só que os protagonistas aqui não ficam presos num anexo secreto e sim num zoológico e não são “apenas” oito pessoas e sim 300, isso mesmo, 300 pessoas passaram pelo zoológico de Varsóvia. Uma cristã (católica) e um ateu abrigam trezentas pessoas no zoológico no qual eles administram, já que o local foi totalmente bombardeado pelos alemães, Diane Ackerman narra a história, mas com várias citações dos personagens que foram registrados por Antonina (diretora do zoológico [a cristã católica]), dessas 300 pessoas “só” duas ou três morrem, enquanto em Anne Frank eles tiveram um final bem mais trágico.

5. Nos bastidores da Nintendo

Só comprei porque sou fã da empresa e isso basta. Nesse livro, Jeff (o autor) conta com detalhes sobre uma das empresas mais queridas do mundo, desde sua fundação até seus desafios do futuro. PS: o título do livro completo é: Nos bastidores da Nintendo: o jeito Wii de reinventar negócios e transformar clientes em fãs. Título curtinho né?

6.  Deus é vermelho

Curiosidade em saber como funcionam as religiões cristãs na China, leia esse livro! Histórias comoventes e tristes, depoimentos, e principalmente: entrevistas. Na verdade, o livro todo é feito disso: entrevistas, muito interessante. Aproveite também para saber um pouquinho da história milenar da China.

7. Tóquio ano zero

8. A lebre com olhos de âmbar

9.  A culpa é das estrelas

Um romance entre uma garota com câncer e um garoto… com câncer! Bem legal, o livro tem uma narrativa que te prende e uma história um tanto incomum.

10. Um dia

Um casal se conhece no dia 15 de julho, a partir disso todos os capítulos do livro acontecem no dia 15 de julho de anos seguintes e mostra como as vidas das personagens evoluem (ou em alguns casos regridem) com o passar do tempo, simplesmente brilhante!

11. Tóquio cidade ocupada

Apesar de fazer parte da trilogia “Tóquio”, cidade ocupada é um livro totalmente independente e não precisa ser lido necessariamente após “ano zero”. Veja um pouco da história: um “oficial” de higiene entra num banco dizendo que existe um caso de tifo (doença) na região e por isso devem tomar um “remédio”, os 16 funcionários do banco bebem o tal remédio e 10 morrem na hora e mais dois no hospital, o oficial foge… Doze pessoas contam uma história diferente, um xamã, uma sobrevivente, uma vítima (que disse a história antes de morrer, óbvio), um gângster e outras pessoas malucas e sinistras. Eu não consigo achar palavras que definem como essa história é inteligente. Se você gosta da cultura japonesa esse livro é um prato cheio. Ponto negativo pelos repetitivos trechos no livro e alguns formatos de textos que são insuportáveis de ler. Achei alguns itens muito legais de pesquisar que achei no livro: Unidade 731 (pesquise se não tiver medo), crime do banco Teikoku e Sadamichi Hirasawa.

12. O diário de Anne Frank

E para fechar o ano com chave de platina (não é nem de ouro), uma história que você lê e diz: “Poxa vida, eu não acredito que ela morreu!” Annelies Marie Frank, conta seu cotidiano dentro do tedioso Anexo Secreto durante os anos que se passam na Segunda Guerra Mundial. As privações, o tédio, as brigas nada disso impediu que o Anexo Secreto fosse invadido pelos alemães em agosto de 1944, O Diário de Anne Frank traz mensagem de paz para que atrocidades como o Holocausto nunca mais apareçam nas nossas páginas de livros de história.

A Lebre com Olhos de Âmbar

Elegante, original e brilhante.

Mas uma vez eu aviso, esse post contém spoilers, então se você está a fim de ler esse livro, não leia esse post, vá procurar outro post sem spoilers!

Você tem algum objeto que tem uma história interessante? O nome desse blog é em homenagem a um brinquedinho que eu tive (saiba mais aqui) um flamingo, mas esse brinquedo não teve nada de mais em sua história, ele foi comprado pelo meu pai em 2004 nos dias das crianças e… só!

Quantas vezes você já leu algum livro sobre a história de bonequinhos? Se a resposta foi nenhuma, bem-vindo ao grupo, isso e outras coisas fazem esse livro realmente especial, um livro que conta a trajetória dos netsuquês (pequenos objetos artesanais japoneses) e não só isso ele conta a história da família do autor além de falar sobre a primeira, segunda guerra mundial e a ocupação norte americana no Japão pós-guerra, é, esse livro é um livro completo.

O começo do livro já te surpreende com a árvore genealógica da família do autor, a família Efrussi ou Ephrussi (como é escrito normalmente durante o livro) tem suas origens em Odessa, uma cidadezinha no sul da Rússia, Charles Joachim Ephrussi, que se chamava Chaim (seu nome judaico [sim, os judeus mudavam seus nomes quando eles migravam para a Europa porque os nomes deles não eram “agradáveis aos ouvidos”]) e Belle (que se chamava Balbina) são o começo da família, mas bem longe da história dos netsuquês.

A história dos netsuquês começa com Charles, mas não esse Charles que eu acabei de mencionar acima, esse é outro Charles que é neto do primeiro Charles, sim, esse é um livro complexo e a criatividade para nomes da família Ephrussi só ajuda. Ele tinha uma amante e na época era modinha ter coisas do Japão eeee… Charles encomendou 264 miniaturas japonesas (os netsuquês) até agora eu não sei o porquê de exatamente 264, por que não 200 ou 300 ou 250? Mas deixa pra lá, continuando, ele deu esses netsuquês de presente para o casal que acabara de se casar: Viktor e Emmy (Só que… Do Charles ganhar os netsuquês até ele dar de presente ao casal, haja história, eu acho que são quase ou mais de 100 páginas até isso acontecer).

Atravessando a Primeira Guerra Mundial, a melhor (ou uma das melhores) parte do livro é quando tem o começo da Segunda Guerra Mundial, no qual a poderosa família

Ephrussi (de origem judaica) é expulsa de seu belo palácio e a família acaba se espalhando pelo mundo (México, Inglaterra, Estados Unidos etc.) e me esqueci de mencionar que, o casal Viktor e Emmy além dos três filhos, Elizabeth (avó do autor), Ignace (antigo dono dos netsuquês) e Gisela (que foi morar no México), tinham uma emprega super fiel, Anna.

Anna trabalhava desde sua adolescência (14, eu acho) para Emmy e mesmo quando esta se casou com Viktor, continuou firme, ajudou a cuidar das três crianças e quando o pessoal da SS expulsou o casal do palácio e o mesmo pessoal disse para Anna ter vergonha de trabalhar para judeus e ser proibida de trabalhar para eles; Anna simplesmente continuou no palácio e fez algo incrivelmente incrível: como os oficiais da SS estavam ocupados demais confiscando as obras de arte, móveis e outros objetos de valor do palácio, Anna foi pegando de pouquinho em pouquinho todos os netsuquês.

Quando Elizabeth voltou à mansão (depois da guerra) Anna entregou os netsuquês para ela. Depois disso, Elizabeth mostrou ao seu irmão Ignace os netsuquês e, este pareceu ter tido um surto de nostalgia (já que ele e as duas irmãs brincavam com os netsuquês na infância) e decidiu participar da ocupação norte-americana no Japão, dizendo que iria devolver os netsuquês de volta ao país de origem.

Ignace morreu e os netuquês ganharam um novo dono e novo lar, agora as centenas de mini esculturas foram para as mãos de Edmund de Waal e em vez de ficarem no Japão, foram para a Inglaterra e… Fim!

A lebre com olhos de âmbar não tem lá as melhores qualificações para atrair leitores (uma história de bonequinhos japoneses), mas Edmund me surpreendeu, mostrando que aqueles netsuquês tiveram uma história fantástica, assim como sua família, A lebre com olhos de âmbar é um livro que dá vontade de dá de presente para todo o mundo.

Dados do livro

Título A lebre com olhos de âmbar
Autor Edmund de Waal
Título original The hare with amber eyes
Tradutor Alexandre Barbosa
Editora Intríseca
Páginas 318

Tóquio Ano Zero

Tóquio de um jeito que você nunca leu.

Antes de ler a resenha, saiba que ela está recheada de spoilers.

A história se passa na Tóquio arrasada pela Segunda Guerra Mundial, lá pela década de 40. Um lugar extremamente quente, perigoso, decadente que ao mesmo tempo é um lugar que é repleto de pessoas e que se reconstrói.

O livro também me mostrou como os japoneses não são aquilo que a maioria de nós imagina ser: eles são violentos, nervosos, pervertidos e até engraçados (vai ver foi a guerra e a derrota para os Estados Unidos que os deixaram desse jeito). São educadíssimos (isso eu já sabia) mesmo assim, com várias reverências e quando eles erram fazem vários pedidos de desculpas.

Bem, vamos começar a falar do livro. Apesar de estar escrito “na sinopse do livro” que a história se passa em torno do assassinato de duas mulheres no parque Shiba, a história é sobre várias mulheres – geralmente jovens – mortas.  O detetive Minami é mais que um detetive, é um guerreiro, o cara praticamente não dorme, muito mal come e durante todas as 400 páginas (na verdade 399, para ser mais exato) o detetive toma um só banho – e isso lá pelo final do livro – ele se esforça, viaja e tenta mover terra, céu e mar para descobrir o assassino.

O assassino na verdade é um serial killer REAL, chamado Kodaira Yoshio – é de praxe de David Peace (autor) misturar ficção à realidade – que seduz e estupra diversas mulheres. O livro na verdade fica nisso: a investigação incessante de Minami (e sua rotina melancolicamente monótona) para encontrar provas para incriminar Kodaira. Mas deixe-me fazer uma ressalva: o autor conta essa história de forma pra lá de empolgante, ele usa de vários recursos, um deles irritantemente interessante é o de repetir várias, várias, várias, várias e várias vezes a mesma coisa (de forma consecutiva ou alternada), e tirando a originalidade da história, o livro é muito bom para quem gosta da cultura japonesa, vários nomes, onomatopeias, gírias, estações de trem, hábitos, músicas e até um pequeno mapa de Tóquio na década de 40.

Lembrando que o livro é bem obsceno, tem algumas partes fortes e não acho recomendado para menores de 18 (sério mesmo!). Ver o Japão – uma das nações mais bem estruturadas do mundo – de jeito totalmente destroçado, decadente e principalmente: uma nação em que pela primeira vez na história fora dominada por forças estrangeiras – leia-se Estados Unidos. Ver aquele cenário de guerra me fez imaginar várias vezes o Rio de Janeiro também destroçado, assim como Tóquio, como seria a cidade maravilhosa, nada maravilhosa? Não quero nem imaginar… David Peace também usa uma palavra sensacional: felizardo. Quem sobrevive à guerra é um felizardo não é mesmo? Bem, lendo como as pessoas sofriam depois da guerra com a fome, pobreza e sem uma vida digna para viver me fez pensar bastante se as pessoas “depois da guerra” eram realmente felizardas.

Depois dessa pausa dramática vamos falar do final do livro. O final do livro é surpreendente: a família de Minami morre num bombardeio aéreo, ah, deixe-me abrir um parêntese: Minami tinha uma amante e, infelizmente, ele estava com ela quando o bombardeio começou e matou toda sua família. E parece que depois disso ele… Enlouqueceu! E, terminou trancado numa cela para malucos contando Calmotins (uma espécie de calmante).

Assim como aconteceu na vida real, o primeiro corpo do parque Shiba foi identificado como Midorikawa Ryuko (morta é claro por Kodaira) e o segundo corpo, tanto no livro como na realidade nunca foi identificado. Fora Ryuko, outras vítimas de Kodaira: Kondo Kazuko (22 anos), Matsuhita Yoshio (20), Abe Yoshiko (16) e suspeito de matar: Shinokawa Tatsue (17), Baba Hiroko, Ishikawa Yori e Nakamura Mitsuko. Além de Miyasaki Mitsuko, a primeira mulher morta do livro.

A seguir leia o relato real de Kodaira Yoshio:

“Os espíritos dos mortos dos meus crimes passados

Vêm me assobrar,

E, embora desesperado, passo dias

Esperando pela minha morte

Pensando na bondade que me foi concedida

Até o fim,

E que faz minhas lágrimas rolarem sem parar.

Kodaira Yoshio, 1949.

Realmente foi chocante ler como a capital do Japão foi reduzida a quase pó na Segunda Guerra Mundial, Tóquio, mesmo arrasada e derrotada, ressurge das cinzas e se torna a metrópole mais rica e populosa do mundo, título concedido até os dias de hoje. Lembrando que Tóquio ano zero faz parte da trilogia Tóquio: Tóquio ano zero, Tóquio cidade ocupada e Tóquio recuperada.

Dados do livro

Título Tóquio ano zero
Autor David Peace
Título original Tokyo year zero
Tradutor Luis Reyes Gil
Editora Planeta do Brasil
Páginas 399

Outros Anos Novos

Algumas datas para um ano novo.

1º de janeiro, esse nós comemoramos. É o dia mundial da paz, a data foi instituída pelo Papa Paulo VI no ano de 1967. Nesse dia, os cristãos comemoram a chegada do ano novo.

A grande maioria, se não forem todos os ocidentais comemoram o ano de 2012, na europa, áfrica, partes da ásia, oceania, américas etc.

 23 de janeiro é um outro ano novo, só que para os chineses. É um calendário fundamentado nos movimentos da lua, na China, eles festejam a entrada do ano do dragão.

Os chineses só comemoram o seu ano novo no dia 23

 

17 de setembro é o ano novo para os judeus. Eles comemoram o Rosh Hashaná e a chegada de 5773, a contagem é feita a partir da criação do mundo, ou seja, enquanto para nós o ano é 2012, para eles é 5773!

Para os judeus, o ano novo começa em setembro, como muitos deles não acreditam em Jesus, a contagem do ano é feita a partir da criação do mundo e não em antes ou depois de Cristo

 

15 de novembro é a data celebrada no mundo islâmico, a data celebra o ano de 1434. Diferentemente dos judeus, os islâmicos contam o tempo a partir de Hégira, a fuga de Maomé para a cidade de Medina.

Dia 15 de novembro é dia de desejar feliz ano novo para os islâmicos

 

Viu só, não é só porque para nós o ano é 2012 é que todo mundo vai comemorar esse ano, para um judeu você deve desejar um feliz 5773 e para um islâmico um feliz 1434!

 

Texto originalmente publicado e adaptado de Almanaque Saraiva, dez 2011, pág. 55.

Doce Primavera

Um jovem chamado Sung estudava no templo da Doce Primavera, quando, ao anoitecer, deparou-se com uma garota lindíssima que o observava do lado de fora da janela.

-Como você parece compenetrado quando estuda! – ela lhe disse.

O templo da Doce Primavera ficava isolado no alto de montanhas rochosas e Sung surpreendeu-se por encontrar esta jovem desconhecida nos seus arredores. Ele sorriu e ficou quieto, sem saber o que responder. A jovem rapidamente aproximou-se dele e Sung admirou-se com a leveza de deus movimentos e a alegria de seu lindo sorriso. “Será que ela é humana? Ou se trata de uma miragem, uma espécie de aparição?”, ele pensou. E como se adivinhasse seus pensamentos, a jovem lhe disse:

-Eu sou real e quero fazer-lhe companhia!

Sentindo-se muito atraído por ela, Sung passou a noite em claro, conversando e rindo com a bela desconhecida.

-Você tem uma voz maravilhosa – ele lhe disse -. Todas as palavras que pronuncia parecem impregnadas de uma doçura sobrenatural. Ela sorriu e cantou, marcando o ritmo da canção com os pés delicados, uma canção que dizia:

Os pássaros não sabem entoar

O canto da meia-noite

E o frio não pode me afastar

De meu jovem mestre e senhor

 

A melodia era tão deliciosa que parecia adoçar o ar, tocando o coração do rapaz. E, enquanto ele a ouvia, completamente deliciado, a jovem abriu a porta, olhou para fora e disse:

– Eu só precisava ter certeza de que estamos a sós.

– Mas por quê? Você está com medo de algo?

– Existe um antigo provérbio que diz assim:  “o espírito que se infiltra na vida deve temer tudo e todos”.

Sem compreender o significado dessas palavras, o jovem a abraçou, apaixonado, e ela acrescentou:

– Logo terei que partir. Sinto perigo à espreita. Minha vida está chegando ao fim.

Sung não acreditou naquelas palavras, apenas sorriu e tentou tranquiliza-la, mas a jovem não se acalmava e pediu para que ele a acompanhasse até a porta.

– Preciso respirar ar puro – ela lhe disse, e saiu para o jardim.

Sung a aguardou, certo de que ela voltaria rapidamente, mas isso não aconteceu. Preocupado, ele a procurou por todos os arredores do templo, mas não conseguiu encontra-la. Nervoso, ele voltou para dentro do templo na esperança de tê-la de volta, mas ao entrar, ouviu apenas a voz suave e abafada da jovem, em prantos. Percebendo que o som de choro saía das plantas do jardim, caminhou em direção dele, mas, no lugar da garota, encontrou uma teia na qual uma abelha pequenina fora aprisionada. Sung libertou a abelha dos fios e a depositou, cuidadosamente, sobre sua escrivaninha. Quando a abelha conseguiu se mover, ela molhou as patinhas na tinta e caminhou sobre uma folha de papel, escrevendo uma única palavra:

OBRIGADA!

      Em seguida, alçou voo e saiu pela janela para nunca mais voltar.

P’u Sung-ling