Jogos e Livros de 2012

Como sou praticamente feito dessas coisas vou fazer uma listinha abaixo sobre o que joguei e li esse ano. A lista está em ordem cronológica e não preferencial.

Jogos:

Todos os meus jogos são de Wii, porque, bem… Eu só tenho Wii!

  1. Super Paper Mario

Um jogo pra lá de difícil com vários enigmas e mistérios; os gráficos são bem feitos e as passagens em 3D são o máximo! Não é muito aconselhável para quem não sabe muito de inglês, embora seja ótimo para quem conhece a língua, porque no jogo há vários diálogos (óbvio, é um RPG!) em diferentes níveis de inglês, como inglês caipira e informal, inglês comum e até inglês arcaico (inglês usado em Shakespeare e na Bíblia)! Para quem pensa que jogos não são intelectuais, é melhor rever seus conceitos!

2. Super Smash Bros Brawl

Simplesmente esplêndido! Quando comprei esse jogo fiquei curioso pelo sistema de batalhas que ele usa, na maioria dos jogos “normais” de luta, a personagem só ganha quando a energia ou sangue do adversário acaba, mas aqui não! O sistema é por porcentagem, ou seja, quando batem em você, sua porcentagem aumenta e quando ela está muito alta fica fácil de matar você. Além disso, há o modo de aventura e muitas, muitas coisas para se descobrir no jogo, se eu for citar todas elas, o post não ter mais fim!

3. New Super Mario Bros Wii

Dispensa apresentações, fantástico e extremamente criativo, assim como se espera do núcleo de desenvolvimento da Nintendo para a franquia mais vendida dos videogames. Divertido e desafiador, com fases dão vontade de jogar o tempo todo e fases que fazem você perder a cabeça, ora pela dificuldade da fase em si, ora pela dificuldade de achar os benditos itens! Destaque para o final épico com Bowser na última fase do Mundo 8.

É, esse ano eu não joguei muito, mas pelo menos os títulos são ótimos e não me decepcionaram!

Livros:

Esse ano eu também não li muito (romances), por causa dos meus estudos para o ENEM e UERJ! Bem, vamos às páginas agrupadas que contam uma história, que comumente chamamos de livros.

  1. O vento nos salgueiros

É, eu sei que sou grande demais para ler esse livro, mas como nunca tinha o lido na infância, resolvi ler no começo desse ano. É um livro meio esquisito, o livro se diz infantil (e é), porém tem algumas partes, digamos, adultas! Como numa parte em que crianças bebem cerveja (!), uma luta contra doninhas e a parte mais estranha (para mim): o encontro de alguns animaizinhos com o deus Pã! Há quem diga que essa parte é a parte mais bonita da história e coisa tal, mas sei lá, colocar uma criatura meio humana e meio bode num livro infantil; e além do mais depois do encontro com o deus, os animaizinhos esquecem tudo! No geral o livro é legal, porém já li livros infantis beeeem melhores que esse.

2. A guerra das salamandras

Salamandras escondidas num local remoto da Ásia são descobertas por um capitão europeu se reproduzem e destroem a humanidade, bem esse é um resumo do livro. Parece chato, mas REALMENTE NÃO É. As salamandras são boazinhas, mas você sempre tem a impressão de quando você menos esperar elas vão e… BOOM! Querem destruir a humanidade. O livro é uma paródia da corrida armamentista (um dos motivos para a 1ª Guerra Mundial [1914-1918]) e consumo desenfreado, já que nós humanos exploramos ao máximo a pobre das salamandras para fazer trabalhos árduos, só que esquecemos (como sempre) que elas são altamente inteligentes e depois elas se voltam contra nós, um livrão! Só não gostei muito do final porque o autor quebra a quarta parede.

3.  Ratos

Sabe aquele livro que você diz: “Ah, vou levar só porque a capa é legal.” E depois você chega a sua casa lê e diz: “Poxa, até que fim ser superficial valeu a pena!”. Simplesmente um dos raros livros que já li que dei nota 10! O livro fala sobre uma ratinha chamada Shelley (que é uma rata no sentido figurado, tá legal?) que fica calada sobre tudo, as pessoas a agridem, Shelley fica quieta, as pessoas a insultam, Shelley fica quieta, as pessoas fazem qualquer coisa e… Shelley fica quieta! Com uma personalidade assim fica difícil de aceitar que essa menininha vá matar um homem! Bem é melhor eu parar por aqui se não vou falar demais (se bem que eu já falei, ou escrevi?). O final é ótimo, para determinados tipos de pessoas.

4.  O zoológico de Varsóvia

Quanto mais nós ouvimos sobre a Segunda Guerra, mais ficamos impressionados, O Zoológico de Varsóvia é quase uma espécie de Diário de Anne Frank, só que os protagonistas aqui não ficam presos num anexo secreto e sim num zoológico e não são “apenas” oito pessoas e sim 300, isso mesmo, 300 pessoas passaram pelo zoológico de Varsóvia. Uma cristã (católica) e um ateu abrigam trezentas pessoas no zoológico no qual eles administram, já que o local foi totalmente bombardeado pelos alemães, Diane Ackerman narra a história, mas com várias citações dos personagens que foram registrados por Antonina (diretora do zoológico [a cristã católica]), dessas 300 pessoas “só” duas ou três morrem, enquanto em Anne Frank eles tiveram um final bem mais trágico.

5. Nos bastidores da Nintendo

Só comprei porque sou fã da empresa e isso basta. Nesse livro, Jeff (o autor) conta com detalhes sobre uma das empresas mais queridas do mundo, desde sua fundação até seus desafios do futuro. PS: o título do livro completo é: Nos bastidores da Nintendo: o jeito Wii de reinventar negócios e transformar clientes em fãs. Título curtinho né?

6.  Deus é vermelho

Curiosidade em saber como funcionam as religiões cristãs na China, leia esse livro! Histórias comoventes e tristes, depoimentos, e principalmente: entrevistas. Na verdade, o livro todo é feito disso: entrevistas, muito interessante. Aproveite também para saber um pouquinho da história milenar da China.

7. Tóquio ano zero

8. A lebre com olhos de âmbar

9.  A culpa é das estrelas

Um romance entre uma garota com câncer e um garoto… com câncer! Bem legal, o livro tem uma narrativa que te prende e uma história um tanto incomum.

10. Um dia

Um casal se conhece no dia 15 de julho, a partir disso todos os capítulos do livro acontecem no dia 15 de julho de anos seguintes e mostra como as vidas das personagens evoluem (ou em alguns casos regridem) com o passar do tempo, simplesmente brilhante!

11. Tóquio cidade ocupada

Apesar de fazer parte da trilogia “Tóquio”, cidade ocupada é um livro totalmente independente e não precisa ser lido necessariamente após “ano zero”. Veja um pouco da história: um “oficial” de higiene entra num banco dizendo que existe um caso de tifo (doença) na região e por isso devem tomar um “remédio”, os 16 funcionários do banco bebem o tal remédio e 10 morrem na hora e mais dois no hospital, o oficial foge… Doze pessoas contam uma história diferente, um xamã, uma sobrevivente, uma vítima (que disse a história antes de morrer, óbvio), um gângster e outras pessoas malucas e sinistras. Eu não consigo achar palavras que definem como essa história é inteligente. Se você gosta da cultura japonesa esse livro é um prato cheio. Ponto negativo pelos repetitivos trechos no livro e alguns formatos de textos que são insuportáveis de ler. Achei alguns itens muito legais de pesquisar que achei no livro: Unidade 731 (pesquise se não tiver medo), crime do banco Teikoku e Sadamichi Hirasawa.

12. O diário de Anne Frank

E para fechar o ano com chave de platina (não é nem de ouro), uma história que você lê e diz: “Poxa vida, eu não acredito que ela morreu!” Annelies Marie Frank, conta seu cotidiano dentro do tedioso Anexo Secreto durante os anos que se passam na Segunda Guerra Mundial. As privações, o tédio, as brigas nada disso impediu que o Anexo Secreto fosse invadido pelos alemães em agosto de 1944, O Diário de Anne Frank traz mensagem de paz para que atrocidades como o Holocausto nunca mais apareçam nas nossas páginas de livros de história.

Tóquio Ano Zero

Tóquio de um jeito que você nunca leu.

Antes de ler a resenha, saiba que ela está recheada de spoilers.

A história se passa na Tóquio arrasada pela Segunda Guerra Mundial, lá pela década de 40. Um lugar extremamente quente, perigoso, decadente que ao mesmo tempo é um lugar que é repleto de pessoas e que se reconstrói.

O livro também me mostrou como os japoneses não são aquilo que a maioria de nós imagina ser: eles são violentos, nervosos, pervertidos e até engraçados (vai ver foi a guerra e a derrota para os Estados Unidos que os deixaram desse jeito). São educadíssimos (isso eu já sabia) mesmo assim, com várias reverências e quando eles erram fazem vários pedidos de desculpas.

Bem, vamos começar a falar do livro. Apesar de estar escrito “na sinopse do livro” que a história se passa em torno do assassinato de duas mulheres no parque Shiba, a história é sobre várias mulheres – geralmente jovens – mortas.  O detetive Minami é mais que um detetive, é um guerreiro, o cara praticamente não dorme, muito mal come e durante todas as 400 páginas (na verdade 399, para ser mais exato) o detetive toma um só banho – e isso lá pelo final do livro – ele se esforça, viaja e tenta mover terra, céu e mar para descobrir o assassino.

O assassino na verdade é um serial killer REAL, chamado Kodaira Yoshio – é de praxe de David Peace (autor) misturar ficção à realidade – que seduz e estupra diversas mulheres. O livro na verdade fica nisso: a investigação incessante de Minami (e sua rotina melancolicamente monótona) para encontrar provas para incriminar Kodaira. Mas deixe-me fazer uma ressalva: o autor conta essa história de forma pra lá de empolgante, ele usa de vários recursos, um deles irritantemente interessante é o de repetir várias, várias, várias, várias e várias vezes a mesma coisa (de forma consecutiva ou alternada), e tirando a originalidade da história, o livro é muito bom para quem gosta da cultura japonesa, vários nomes, onomatopeias, gírias, estações de trem, hábitos, músicas e até um pequeno mapa de Tóquio na década de 40.

Lembrando que o livro é bem obsceno, tem algumas partes fortes e não acho recomendado para menores de 18 (sério mesmo!). Ver o Japão – uma das nações mais bem estruturadas do mundo – de jeito totalmente destroçado, decadente e principalmente: uma nação em que pela primeira vez na história fora dominada por forças estrangeiras – leia-se Estados Unidos. Ver aquele cenário de guerra me fez imaginar várias vezes o Rio de Janeiro também destroçado, assim como Tóquio, como seria a cidade maravilhosa, nada maravilhosa? Não quero nem imaginar… David Peace também usa uma palavra sensacional: felizardo. Quem sobrevive à guerra é um felizardo não é mesmo? Bem, lendo como as pessoas sofriam depois da guerra com a fome, pobreza e sem uma vida digna para viver me fez pensar bastante se as pessoas “depois da guerra” eram realmente felizardas.

Depois dessa pausa dramática vamos falar do final do livro. O final do livro é surpreendente: a família de Minami morre num bombardeio aéreo, ah, deixe-me abrir um parêntese: Minami tinha uma amante e, infelizmente, ele estava com ela quando o bombardeio começou e matou toda sua família. E parece que depois disso ele… Enlouqueceu! E, terminou trancado numa cela para malucos contando Calmotins (uma espécie de calmante).

Assim como aconteceu na vida real, o primeiro corpo do parque Shiba foi identificado como Midorikawa Ryuko (morta é claro por Kodaira) e o segundo corpo, tanto no livro como na realidade nunca foi identificado. Fora Ryuko, outras vítimas de Kodaira: Kondo Kazuko (22 anos), Matsuhita Yoshio (20), Abe Yoshiko (16) e suspeito de matar: Shinokawa Tatsue (17), Baba Hiroko, Ishikawa Yori e Nakamura Mitsuko. Além de Miyasaki Mitsuko, a primeira mulher morta do livro.

A seguir leia o relato real de Kodaira Yoshio:

“Os espíritos dos mortos dos meus crimes passados

Vêm me assobrar,

E, embora desesperado, passo dias

Esperando pela minha morte

Pensando na bondade que me foi concedida

Até o fim,

E que faz minhas lágrimas rolarem sem parar.

Kodaira Yoshio, 1949.

Realmente foi chocante ler como a capital do Japão foi reduzida a quase pó na Segunda Guerra Mundial, Tóquio, mesmo arrasada e derrotada, ressurge das cinzas e se torna a metrópole mais rica e populosa do mundo, título concedido até os dias de hoje. Lembrando que Tóquio ano zero faz parte da trilogia Tóquio: Tóquio ano zero, Tóquio cidade ocupada e Tóquio recuperada.

Dados do livro

Título Tóquio ano zero
Autor David Peace
Título original Tokyo year zero
Tradutor Luis Reyes Gil
Editora Planeta do Brasil
Páginas 399

Caninos Brancos

Acho que nunca mais eu vou ver os cães da mesma maneira.

Atenção, antes de ler o texto, saiba que o texto contém spoilers.

 

Quando eu comecei a ler Caninos Brancos, e olhava para trás do livro, não entendia nada. No começo do livro se conta somente sobre a jornada de dois amigos que estavam indo a um forte. Na verdade, das cinco partes do livro, uma parte inteira era só sobre os amigos e sua jornada. Lembrando que a história se passa no Alasca em 1910.

 

Abertura do livro:

Extensos pinhais sombrios derramam-se lugubremente por ambas as margens do rio congelado.

Bill e Henry estão enfrentando o Wild (que nada mais é do que uma região atravessada pelo círculo ártico e imediações, é uma palavra intraduzível nesse caso, wild, na verdade significa selvagem), e são surpreendidos quando uma matilha de lobos atacam seus cães de trenó e acabam matando, um por um.

Já deu para perceber como eu fiquei confuso, já que no final do livro dizia que a história falava sobre um lobinho desde seu nascimento até sua velhice, mas na verdade o que eu encontrava no livro até aquele ponto era só sobre aqueles dois homens e sua jornada.

Mas eu sou muito impaciente. Na segunda parte do livro tudo muda de foco. Depois de comerem os cães e um dos homens, o segundo homem consegue escapar da matilha depois de muito sacrifício e aí que entra o começo da história, depois de 38 páginas!

Na verdade, a mãe do futuro lobinho está nessa alcateia (mesmo sendo ela uma cachorra) e pelo visto ela sempre tinha muita moral, sempre que algum macho chegava perto dela ela cravava seus dentes nos pescoços dos seus queridos companheiros. História vai, história vem, ela acaba acasalando com um dos lobos chamado Caolho e aí sim Caninos Brancos nasce de verdade, isso só acontece no capítulo 2, O ninho, da segunda parte, na página 50, mas o livro fala do lobinho principal, no capítulo seguinte e é aí que consigo entender as coisas (sim, meu raciocínio é lento), na verdade a história dos amigos só foi, como posso dizer… Um prefácio! Não serviu para muita coisa na história.

Caninos é um cão-lobo que fica em sua caverna, enquanto seu pai, Caolho, vai caçar, um péssimo dia seu pai é morto, então sua mãe sai para caçar enquanto ele fica na caverna sozinho, mas ele está crescendo e um dia resolve sair e começa se dando mal, ele acaba descendo barranco abaixo sem controle e assim que desce já descobri um mundo de coisas.

Fique me perguntando se nunca mais ele ia ver sua mãe novamente, mas ele viu sim! Durante uma luta com uma doninha sua mãe aparece para ajudá-lo.

Gostava do relacionamento da mãe com seu filhote, ela sempre o protegia, Caninos era um lobo, mas também tinha seu lado cão, um lado brincalhão e inocente.

Mas tudo muda de novo. A mãe de Caninos se chama Kiche, uma cachorra (é a mesma que dava dentadas nos lobos que chegam perto dela), que já foi domesticada pelos índios e por coincidência se encontra com os seu antigo dono. Então Caninos começa um longo e doloroso processo de domesticação e frieza.

No acampamento indígena, sua mãe vivia presa numa madeira enquanto Caninos vivia solto, mas aqui está o começo da frieza de Caninos: Lip-Lip, esse maldito cachorro vivia dando surras no pobre do lobinho, às vezes, ele traiçoeiramente levava Lip-Lip até sua mãe e, Kichie, que dava algumas mordidas como recompensa no cachorro que vivia em fazer a vida de Caninos um inferno. Mas, um dia sua mãe é levada por um dos índios para um lugar desconhecido, era o fim da proteção de Caninos, Lip-Lip fazia a festa com ele o maltratando até ele dizer chega! É aí que Caninos fica fechado, sóbrio, distante.

Seu dono, Castor Pardo, não fazia muita coisa quando Lip-Lip batia em Caninos, na verdade Castor Pardo se limitava a lhe dar comida, nada muito íntimo e carinhoso. Caninos se torna um monstro, ele cresce, e se torna forte e poderoso.

A história te comove em vários sentidos, você se sente preso à história, torcendo para que o lobinho se dê bem. Primeiro a troca de donos (ou deuses como o livro chama os seres humanos [por terem poder o suficiente para mudar o futuro dos cães]), no meio da história aparece o pior personagem do livro, Beauty Smith, beauty significa beleza em inglês, (o que é uma tremenda ironia ao personagem já que o livro o descreve como uma pessoa horrível de feia), Smith tem um estranho interesse por Caninos, primeiro ele oferece um dinheiro para Castor Pardo, que recusa a oferta, então ele astuciosamente começa a frequentar a casa do índio (tentando conquistar sua confiança), então ele põe em prática seu pano, fazer o índio se tornar alcoólico.

Castor Pardo empobrece em pouco tempo e, ao invés de, Smith comprar o cão-lobo com dinheiro, o compra com uma garrafa de bebida. Mas Smith não é bom. E Caninos mesmo sem cair ainda em suas garras, já sabia disso. Depois de fugir da casa de Beauty duas vezes, é na terceira vez que Caninos sofre para valer. Ele vira um cão de luta. E se torna um cão extremamente selvagem e de caráter áspero.

Caninos enfrenta inúmeros inimigos perigosos, ele sempre se saía melhor em todas as lutas, mas essa série de vitórias acaba com um buldogue estranho. Cherokee é o nome do cachorro, ele era desajeitado, meio lento e desengonçado, uma presa fácil para ele. Nem tanto. Cada vez que Caninos dava um golpe em Cherokee, o cachorro se erguia e simplesmente continuava a briga, nunca parava. A briga terminou com o buldogue com a boca encravada no pescoço de Caninos, e o pior, Cherokee nunca largava o pescoço de Caninos, o lobo o jogava de um lado para o outro, Cherokee mantéu o corpo mole, mas a boca estava lá, sempre cravada no pescoço do lobinho (que agora não era tão “inho”), era o fim de Caninos Brancos.

Até que Weedom Scott e Matt chegam para salvar a vida do lobo. O buldogue é retirado por um dos homens com uma arma e leva Caninos embora, Beauty Smith chia e leva um soco no rosto. Covarde como Smith era, não encarou o homem que levava seu lobo por 150 dólares.

Scott cuidou do cão-lobo como um pai, lhe dava comida, o acariciava, lhe abrigou. Caninos como não sabia emitir outro som sem ser o rosnido, rosnava, mas com uma “nota” diferente. Mas não pense que foi assim tão rapidinho, foi um longo processo até que Caninos se abrisse totalmente ao seu dono. Scott leva caninos do norte (lugar onde o lobo sempre vivera) e o leva para uma grande fazenda na Califórnia. É nesse lugar que Caninos começa a se civilizar, se apaixona por uma cachorra chamada Colie, não mata mais os pequenos animais e pelas primeiras vezes o lobinho late (sim, acredite, ele não sabia latir, só rosnar).

Enquanto eu lia o livro, pensei que o lobo iria morrer, e quem disse que os livros não transmitem emoções? No final do livro fiquei tenso pensando que o lobo poderia morrer, ainda mais na parte final, no qual um bandido entra na fazenda e Caninos o ataca e o lobo leva um tiro, o bandido morre e o cachorro quase que leva o mesmo destino, mas depois ele se recupera e, com um triunfante vigor, ele se levanta e anda, capengando e às vezes caindo, mas andando, ele vê seus filhotes e todos o aplaudiram e o livro termina assim:

 

Encerramento do livro:

Palmas e gritos dos deuses aplaudiram a cena. Caninos mostrou-se um tanto surpreso, e olhou para a assistência com olhos interrogativos. Sua fraqueza fez-se sentir de novo e caiu de banda, olhando para a coisinha viva novamente. Os outros filhotes vieram reunir-se àquele, para grande aborrecimento de Colie, toda ela ciúmes, e Caninos gravemente permitiu que a ninhada trepasse em cima dele e brincasse sobre sua pele. E ali ficou, a antiga fera, como tapete vivo sobre o qual coisinhas vivas brincavam. Seus olhos pacientes semicerraram-se e Caninos entrou em cochilo.

 

Fiquei com terror enorme com que o lobo morresse no último parágrafo, me senti um idiota por isso, mas sei que não sou o único a sentir isso, afinal, literatura com certeza é arte e arte emociona.

 

Caninos brancos é um dos melhores livros que já li, mostra como sempre o amor vencerá o ódio, Caninos com o levar da vida se torna um lobo frio, sem vida, apenas ansioso para matar algum ser vivo, o jeito com que Scott o trata é fantástico, o lobo que nunca brincou na vida, nunca riu, nunca latiu e que só sabia rosnar e arreganhar seus grandes caninos brancos, agora estava deixando criaturinhas subirem em cima dele. Uma das passagens que mais gostei foi essa: “[…] Seu senhor riu-se mais ainda e ele aumentou a pose de dignidade. Por fim mudou e, quando o amo ria-se, Caninos passou a imita-lo. Sua boca abria-se levemente, seus lábios se repuxavam, com o conjunto facial desenhando uma expressão nova. É que também aprendera a rir.” Lembrando que Caninos também odiava o riso. Vou sempre me lembrar desse livro, que talvez seja o último (ou um dos últimos) que vou ler esse ano.

 

Parágrafo favorito:

O Wild odeia o movimento. Para ele a vida constitui ofensa porque vida é movimento. O Wild destrói todo o movimento, imobilizando tudo. Congela a água para impedi-la de correr rumo ao oceano: espreme a seiva das árvores até exauri-las; e, com maior ferocidade ainda, encarniça-se contra o homem para força-lo à submissão – o homem, esse entezinho inquieto e sempre em estado de revolta contra a imobilidade.

Jack London – O Autor

Jack London

Nasceu em 1876, em São Francisco. Começou a escrever para fugir da vida de operário de fábrica. Teve muitas ocupações, como apanhador de ostras clandestinas na baía de São Francisco, marinheiro, além de procurar ouro na região de Klondike, no Alasca. Frequentou a universidade por apenas seis meses, pois a considerou um lugar pouco vivo e sem paixão. Suas obras foram inspiradas em sua larga experiência de vida e em suas aventuras, como uma travessia pelo Pacífico em um barco a vela e viagens pelo mundo. London teve uma extraordinária disciplina em seu trabalho, escrevendo mil palavras por dia durante 16 anos, o que lhe rendeu cerca de 50 livros publicados e centenas de contos e artigos. Dos romances mais famosos de London destacam-se O Grito da Selva, de 1903, O Lobo do Mar, de 1904, e Caninos Brancos, de 1906. Suas obras foram traduzidas em várias línguas e continuam as ser lidas em todo o mundo.

Ficha do Livro

Título Caninos brancos
Autor Jack London
Tradução Monteiro Lobato
Ilustrações Orlando Pedroso
Título Original White fang
Editora IBEP
Páginas 216

Vinte mil léguas submarinas

Viajando sob o mar a bordo do Nautilus.

Vinte mil léguas submarinas é um livro escrito pelo talentoso Júlio Verne, a história conta outra aventura do professor de história natural Pierre Aronnax. Ele, seu criado Conseil, o arpoador canadense irritado Ned Land e o misterioso capitão Nemo viajaram o planeta inteiro numa jornada cheia de perigos e descobertas.

O livro é dividido em duas partes, e em 47 capítulos, são vinte e quatro na primeira parte e vinte e três na segunda, todos os capítulos são curtos e de fácil compreensão. São cerca de 230 páginas contando com biografia do autor, tradutor, ilustrador e notas do tradutor.

A história começa com aparições estranhas acontecendo na Europa e na América, todos ficam espantados com tantos acidentes e naufrágios, pensam que estão diante de um monstro. Até que uma expedição à procura da criatura leva o professor Aronnax e seu fiel criado Conseil até um navio a procura do tal monstro. Na viagem além dos dois rapazes vão o capitão (que só aparece no inicio da história), o arpoador Ned Land e a tripulação do Abraham Lincoln (o nome do navio que os leva a expedição).

O navio começa a expedição no Atlântico norte (em Nova Iorque) e dá uma volta inteira no continente americano e vai para as água do Pacífico, mas é no Pacifico norte, nas águas do Japão é que eles encontram “a criatura”.

Quando saíram para a expedição à procura do tal monstro, o professor Aronnax pensava que o monstro se tratasse de um narval gigante. Mas logo todos perceberam que não era um narval gigante, pois atiraram um arpão e ele não entrou, jogaram uma bola de canhão e ela rolava pela superfície da criatura. Até que a criatura se irritou, balançou as águas (e consequentemente o navio) e derrubou o professor no mar. Mas ele não foi sozinho, junto com ele seu criado também foi e o arpoador canadense.

Agarraram na criatura, enquanto o navio Abraham Lincoln ia desaparecendo no horizonte e deixando o arpoador, o professor e seu criado. Quando tudo parecia perdido uma placa se abriu revelando uma escotilha, instantes depois oito rapazes com seus rostos cobertos puxaram os três para o interior da criatura numa velocidade impressionante!

Daí em diante o professor, o arpoador e o criado descobrem a criatura por dentro, que na verdade não é uma criatura e sim um submarino e tem nome, Nautilus. Descobrem que no Nautilus  há uma tripulação, um capitão e muita tecnologia para aquela época. O Nautilus foi construído por um homem chamado Nemo (o capitão do Nautilus), Nemo é um homem amargurado, misterioso, rico e inteligente, que construiu o Nautilus em segredo para viver distante da civilização, dedica sua vida a viajar o planeta inteiro a bordo do Nautilus e sua tripulação.

Mas havia um problema, o capitão Nemo nunca mais libertaria os três novos tripulantes, eles eram obrigados a viver no Nautilus para sempre, pois eles agora sabiam do segredo do capitão Nemo e poderiam contá-lo para a sociedade.

Eu vou adiantar um pouco mais as coisas, depois que eles sabem que são forçados a viver no Nautilus eternamente, o capitão Nemo, o professor Aronnax, seu criado Conseil e o arpoador Ned land vivem grandes aventuras a bordo Nautilus, mas são aventuras interessantes muito bem contadas, detalhe a detalhe, mas são muitas para que eu conte todas. Vou direto ao final.

Depois que o capitão Nemo avista um navio (que não se sabe sua nacionalidade nem por que o capitão Nemo o odeia), ordena a todos que afundem o navio, causando a morte de todos os tripulantes. Depois que ele faz isso, Aronnax fica com medo do capitão e quer sair do Nautilus, Ned Land e Conseil querem o mesmo (principalmente Ned Land que quis sair do Nautilus desde que entrou).

Até que uma coisa terrível acontece, quando estão próximos as costas da Noruega, um redemoinho leva o Nautilus (não se sabe se o Nautilus foi comandado voluntariamente ou involuntariamente até o redemoinho) e Aronnax, Ned Land e Conseil estão num compartimento do submarino que está um barco para eles escaparem, ao ver o redemoinho eles desistem e se agarram onde o barco está preso, mas a força do mar acaba desprendendo o barco do compartimento e os leva até o turbilhão!

Depois que isso acontece, Aronnax perde os sentido, mas pela manhã se vê numa ilha são e salvo junto com seus dois amigos. Não se sabe o que aconteceu com o Nautilus, com o Nemo e sua tripulação.

É com esse final misterioso que acaba a história, até hoje me pergunto, por que o capitão Nemo tinha ódio da sociedade, qual era a língua desconhecida que ele se comunicava com seus tripulantes (o capitão Nemo falava com seus companheiros, mas Aronnax, Ned Land e Conseil não entendiam) e o que aconteceu com eles depois do acidente.

Bem a história é muito bem contada, as aventuras, os detalhes físicos e comportamentais dos personagens, o submarino, mas alguns dos mistérios do livro não são revelados o que dá certa frustração, mas em geral o livro é muito bom, o que é mais incrível é o autor Júlio Verne, ele conseguiu a proeza de descrever um submarino, antes de ser inventado!

O livro é bom para todas as pessoas, crianças, jovens, adultos, idosos, ele atiça nossa imaginação ao máximo, nos fazendo imaginar coisas incríveis no fundo do mar, e a estrutura do submarino.

Júlio Verne – O Autor

Nasceu na França no dia 8 de fevereiro de 1828 e faleceu dia 24 de março de 1905, em Paris ele se formou em direito, mas escolheu ser escritor, conseguiu antever o submarino, equipamentos de mergulho, a televisão e outras coisas.  Algumas obras são destaques como: Viagem ao centro da Terra, Da Terra à Lua, Vinte mil léguas submarinas, A ilha misteriosa e a Volta ao mundo em 80 dias.

Ficha do Livro

Título Vinte mil léguas submarinas
Autor Júlio Verne
Tradução Walcyr Carrasco
Título Original Vingt mille lieues sous le mers
Editora FTD

O livro da selva: as histórias de Mowgli

O clássico de filme Disney ainda é melhor.

O livro da selva foi um livro feito pelo autor indiano, Rudyard Kipling. E narra as histórias de Mowgli, muitas delas você já deve ter visto no filme.

Com as poucas mais de cem páginas, o livro é dividido em poucos capítulos, são seis, sem contar um capítulo sobre os autores. Os capítulos têm cerca de dez ou vinte páginas e é recheado de figuras grandes que ocupam uma página inteira e outras pequenas que ocupam algumas linhas.

Mowgli foi um menino criados por lobos, na língua local, Mowgli é uma espécie de sapo, isso porque Mowgli é liso como um sapo. Cada história de Mowgli tem um objetivo, na primeira história, você tem um reconhecimento da história, na segunda ele precisa matar Shere Khan, o tigre que quer mata-lo.

No quarto capítulo, que é a caçada de Kaa (a cobra), Mowgli conhece macacos que são chamados na história como “o povo sem lei”. Já no sexto capítulo Mowgli está na primavera (no livro, primavera é chamada de “Estação do Novo Assunto”). Mowgli se apaixona na primavera e vive com os homens.

Tudo que você leu até agora apareceu no filme, mas o quinto capítulo, vamos dizer que é “exclusivo”. O quinto capítulo é chamado de “Cão Vermelho”, onde Mowgli e toda a alcatéia travam uma luta violenta contra pequenos lobos que são chamados de cães vermelhos. A luta é violenta demais, talvez seja esse o motivo que a Disney não o colocou no filme. Mas não só isso que o livro tem e o filme não, vários personagens do livro, não aparecem no filme.

O livro é mais recomendado por jovens, mas esse é o seu ponto fraco, sua estrutura e história se identificam mais com o público infantil, mas alguns trechos talvez sejam fortes demais para crianças.

Rudyard Kipling – O Autor

O poeta, escritor, e jornalista Kipling, nasceu em Bombaim (hoje Mumbai), na Índia, em 1865, que naquele tempo pertencia ao império britânico. A experiência de crescer numa família inglesa num país colonizado, numa cidade habitada por muitos povos diferentes, marcou desde cedo sua aguçada percepção para as questões sociais. No entanto, sua ferrenha defesa do regime imperialista britânico foi – e é- bastante criticada. Escreveu seis romances, entre os quais se se destaca Kim e, ganhou o premio Nobel de literatura em 1907. Rudyard Kipling faleceu em 1936, em Londres, Reino Unido.

Ficha do Livro

Título O livro da selva: as histórias de Mowgli
Autor Rudyard Kipling
Tradução Bruno Berlendis
Ilustrações Gonzalo Cárcamo
Título Original The jungle book; The second jungle book
Editora Berlendis & Vertecchia Editores