Shibuya Crossing

Ou em português: o cruzamento de Shibuya, é simplesmente o cruzamento de ruas mais movimentado do mundo, tinha que ser na cidade que também é a mais populosa e rica do mundo: Tóquio. O vídeo abaixo foi produzido em outubro de 2011 e é em Time Lapse (movimentos acelerados por edições de vídeo), só no finalzinho que a velocidade é “normal”.

 

A Lebre com Olhos de Âmbar

Elegante, original e brilhante.

Mas uma vez eu aviso, esse post contém spoilers, então se você está a fim de ler esse livro, não leia esse post, vá procurar outro post sem spoilers!

Você tem algum objeto que tem uma história interessante? O nome desse blog é em homenagem a um brinquedinho que eu tive (saiba mais aqui) um flamingo, mas esse brinquedo não teve nada de mais em sua história, ele foi comprado pelo meu pai em 2004 nos dias das crianças e… só!

Quantas vezes você já leu algum livro sobre a história de bonequinhos? Se a resposta foi nenhuma, bem-vindo ao grupo, isso e outras coisas fazem esse livro realmente especial, um livro que conta a trajetória dos netsuquês (pequenos objetos artesanais japoneses) e não só isso ele conta a história da família do autor além de falar sobre a primeira, segunda guerra mundial e a ocupação norte americana no Japão pós-guerra, é, esse livro é um livro completo.

O começo do livro já te surpreende com a árvore genealógica da família do autor, a família Efrussi ou Ephrussi (como é escrito normalmente durante o livro) tem suas origens em Odessa, uma cidadezinha no sul da Rússia, Charles Joachim Ephrussi, que se chamava Chaim (seu nome judaico [sim, os judeus mudavam seus nomes quando eles migravam para a Europa porque os nomes deles não eram “agradáveis aos ouvidos”]) e Belle (que se chamava Balbina) são o começo da família, mas bem longe da história dos netsuquês.

A história dos netsuquês começa com Charles, mas não esse Charles que eu acabei de mencionar acima, esse é outro Charles que é neto do primeiro Charles, sim, esse é um livro complexo e a criatividade para nomes da família Ephrussi só ajuda. Ele tinha uma amante e na época era modinha ter coisas do Japão eeee… Charles encomendou 264 miniaturas japonesas (os netsuquês) até agora eu não sei o porquê de exatamente 264, por que não 200 ou 300 ou 250? Mas deixa pra lá, continuando, ele deu esses netsuquês de presente para o casal que acabara de se casar: Viktor e Emmy (Só que… Do Charles ganhar os netsuquês até ele dar de presente ao casal, haja história, eu acho que são quase ou mais de 100 páginas até isso acontecer).

Atravessando a Primeira Guerra Mundial, a melhor (ou uma das melhores) parte do livro é quando tem o começo da Segunda Guerra Mundial, no qual a poderosa família

Ephrussi (de origem judaica) é expulsa de seu belo palácio e a família acaba se espalhando pelo mundo (México, Inglaterra, Estados Unidos etc.) e me esqueci de mencionar que, o casal Viktor e Emmy além dos três filhos, Elizabeth (avó do autor), Ignace (antigo dono dos netsuquês) e Gisela (que foi morar no México), tinham uma emprega super fiel, Anna.

Anna trabalhava desde sua adolescência (14, eu acho) para Emmy e mesmo quando esta se casou com Viktor, continuou firme, ajudou a cuidar das três crianças e quando o pessoal da SS expulsou o casal do palácio e o mesmo pessoal disse para Anna ter vergonha de trabalhar para judeus e ser proibida de trabalhar para eles; Anna simplesmente continuou no palácio e fez algo incrivelmente incrível: como os oficiais da SS estavam ocupados demais confiscando as obras de arte, móveis e outros objetos de valor do palácio, Anna foi pegando de pouquinho em pouquinho todos os netsuquês.

Quando Elizabeth voltou à mansão (depois da guerra) Anna entregou os netsuquês para ela. Depois disso, Elizabeth mostrou ao seu irmão Ignace os netsuquês e, este pareceu ter tido um surto de nostalgia (já que ele e as duas irmãs brincavam com os netsuquês na infância) e decidiu participar da ocupação norte-americana no Japão, dizendo que iria devolver os netsuquês de volta ao país de origem.

Ignace morreu e os netuquês ganharam um novo dono e novo lar, agora as centenas de mini esculturas foram para as mãos de Edmund de Waal e em vez de ficarem no Japão, foram para a Inglaterra e… Fim!

A lebre com olhos de âmbar não tem lá as melhores qualificações para atrair leitores (uma história de bonequinhos japoneses), mas Edmund me surpreendeu, mostrando que aqueles netsuquês tiveram uma história fantástica, assim como sua família, A lebre com olhos de âmbar é um livro que dá vontade de dá de presente para todo o mundo.

Dados do livro

Título A lebre com olhos de âmbar
Autor Edmund de Waal
Título original The hare with amber eyes
Tradutor Alexandre Barbosa
Editora Intríseca
Páginas 318

Tóquio Ano Zero

Tóquio de um jeito que você nunca leu.

Antes de ler a resenha, saiba que ela está recheada de spoilers.

A história se passa na Tóquio arrasada pela Segunda Guerra Mundial, lá pela década de 40. Um lugar extremamente quente, perigoso, decadente que ao mesmo tempo é um lugar que é repleto de pessoas e que se reconstrói.

O livro também me mostrou como os japoneses não são aquilo que a maioria de nós imagina ser: eles são violentos, nervosos, pervertidos e até engraçados (vai ver foi a guerra e a derrota para os Estados Unidos que os deixaram desse jeito). São educadíssimos (isso eu já sabia) mesmo assim, com várias reverências e quando eles erram fazem vários pedidos de desculpas.

Bem, vamos começar a falar do livro. Apesar de estar escrito “na sinopse do livro” que a história se passa em torno do assassinato de duas mulheres no parque Shiba, a história é sobre várias mulheres – geralmente jovens – mortas.  O detetive Minami é mais que um detetive, é um guerreiro, o cara praticamente não dorme, muito mal come e durante todas as 400 páginas (na verdade 399, para ser mais exato) o detetive toma um só banho – e isso lá pelo final do livro – ele se esforça, viaja e tenta mover terra, céu e mar para descobrir o assassino.

O assassino na verdade é um serial killer REAL, chamado Kodaira Yoshio – é de praxe de David Peace (autor) misturar ficção à realidade – que seduz e estupra diversas mulheres. O livro na verdade fica nisso: a investigação incessante de Minami (e sua rotina melancolicamente monótona) para encontrar provas para incriminar Kodaira. Mas deixe-me fazer uma ressalva: o autor conta essa história de forma pra lá de empolgante, ele usa de vários recursos, um deles irritantemente interessante é o de repetir várias, várias, várias, várias e várias vezes a mesma coisa (de forma consecutiva ou alternada), e tirando a originalidade da história, o livro é muito bom para quem gosta da cultura japonesa, vários nomes, onomatopeias, gírias, estações de trem, hábitos, músicas e até um pequeno mapa de Tóquio na década de 40.

Lembrando que o livro é bem obsceno, tem algumas partes fortes e não acho recomendado para menores de 18 (sério mesmo!). Ver o Japão – uma das nações mais bem estruturadas do mundo – de jeito totalmente destroçado, decadente e principalmente: uma nação em que pela primeira vez na história fora dominada por forças estrangeiras – leia-se Estados Unidos. Ver aquele cenário de guerra me fez imaginar várias vezes o Rio de Janeiro também destroçado, assim como Tóquio, como seria a cidade maravilhosa, nada maravilhosa? Não quero nem imaginar… David Peace também usa uma palavra sensacional: felizardo. Quem sobrevive à guerra é um felizardo não é mesmo? Bem, lendo como as pessoas sofriam depois da guerra com a fome, pobreza e sem uma vida digna para viver me fez pensar bastante se as pessoas “depois da guerra” eram realmente felizardas.

Depois dessa pausa dramática vamos falar do final do livro. O final do livro é surpreendente: a família de Minami morre num bombardeio aéreo, ah, deixe-me abrir um parêntese: Minami tinha uma amante e, infelizmente, ele estava com ela quando o bombardeio começou e matou toda sua família. E parece que depois disso ele… Enlouqueceu! E, terminou trancado numa cela para malucos contando Calmotins (uma espécie de calmante).

Assim como aconteceu na vida real, o primeiro corpo do parque Shiba foi identificado como Midorikawa Ryuko (morta é claro por Kodaira) e o segundo corpo, tanto no livro como na realidade nunca foi identificado. Fora Ryuko, outras vítimas de Kodaira: Kondo Kazuko (22 anos), Matsuhita Yoshio (20), Abe Yoshiko (16) e suspeito de matar: Shinokawa Tatsue (17), Baba Hiroko, Ishikawa Yori e Nakamura Mitsuko. Além de Miyasaki Mitsuko, a primeira mulher morta do livro.

A seguir leia o relato real de Kodaira Yoshio:

“Os espíritos dos mortos dos meus crimes passados

Vêm me assobrar,

E, embora desesperado, passo dias

Esperando pela minha morte

Pensando na bondade que me foi concedida

Até o fim,

E que faz minhas lágrimas rolarem sem parar.

Kodaira Yoshio, 1949.

Realmente foi chocante ler como a capital do Japão foi reduzida a quase pó na Segunda Guerra Mundial, Tóquio, mesmo arrasada e derrotada, ressurge das cinzas e se torna a metrópole mais rica e populosa do mundo, título concedido até os dias de hoje. Lembrando que Tóquio ano zero faz parte da trilogia Tóquio: Tóquio ano zero, Tóquio cidade ocupada e Tóquio recuperada.

Dados do livro

Título Tóquio ano zero
Autor David Peace
Título original Tokyo year zero
Tradutor Luis Reyes Gil
Editora Planeta do Brasil
Páginas 399

An Image A 2012

AVISO: as imagens a seguir não fazem o menor sentido.

Esse é um dos pontos mais movimentados de Tóquio.

Neo zelandeses comemorando nas Olimpíadas de Londres

Bola na frente do croata, também em Londres

 

Foto dos melhores tenistas do mundo em Melbourne, Austrália.

Android comendo um Macbook

 

 

Essa imagem veio no meu MP4

 

 

A tão elegante e poderosa Nova Iorque, não tão elegante e poderosa assim nessa imagem, foto tirada na Little Italy em 1900.

 

 

Mario numa versão 3D, só que ao mesmo tempo antiga.

 

Sem palavras para descrever essa imagem.

 

E para fechar, uma bela imagem da lua brilhando, imponentemente no céu negro (bem poético esse final, né?).

Tradição e Modernidade: As Duas Faces da Sociedade Japonesa

Acredite, pode-se dar muita asa à imaginação nas 24 horas de um voo até o Japão. Claro que um dia inteiro dentro de um avião parece um passeio diante dos 52 dias enfrentados pelos primeiros imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil num navio, noventa anos atrás. Mas ainda assim é um bocado de tempo, principalmente para quem só tem a opção de ficar sentado a 10 mil metros do solo. Em situações como essa, boa leitura e um pouco de fantasia ajudam a preservar a sanidade mental.

E o Japão, ainda bem, oferece farto material para isso. Tome um livro de história japonesa e descubra que o país se mantém fiel a uma sucessão de imperadores que, segundo a tradição, teria começado em 660 antes de Cristo e que perdura ainda hoje. Quer mais tradição? Nesses 2.600 anos, o Japão viveu muito: alternou fases de grande florescimento com períodos de profundo declínio. Experimentou a opulência e a miséria. Sua capital imperial mudou quatro vezes de lugar, deixando impressas em cada nova sede as marcas arquitetônicas e culturais das cortes da época.

Os japoneses foram na maior parte dessa história um povo separado não só geograficamente pelas ilhas, mas também politicamente. E só se reuniram numa mesma nação ao final de sangrentas batalhas entre os príncipes feudais. Donos de seu próprio nariz graças ao isolamento insular, puderam selecionar o que lhes interessava das culturas vizinhas, descartando o que consideravam indesejado. O resultado dessa assimilação seletiva foi o surgimento de uma visão própria do mundo, que acabou se manifestando nos templos zen-budistas, na veneração da natureza do xintoísmo, na submissa delicadeza das gueixas, na cerimoniosidade das relações pessoais, no artesanato de papel, nos jardins de pedra e nos bonsais.

Diante da força e longevidade dessas tradições, a modernidade tecnológica e o estilo de vida ocidental das últimas décadas podem parecer contraditórios. Mas não se deixe enganar pelas aparências. Os japoneses não abandonaram suas antigas raízes. Hoje, como antes, continuam escolhendo a dedo o que desejam. O mundo moderno não arrombou sua porta, mas foi recebido no que tinha de mais interessante a oferecer. Os japoneses conseguiram incorporar a produção industrial em série, o chip eletrônico e a robotização mantendo relações sociais e esquemas mentais de séculos atrás. É quase um feudalismo cibernético. […]

No Japão, é bom que você entenda logo, as tradições valem muito. Mesmo os adolescentes que circulam pelo bairro Shibuya, em Tóquio, e que adoram imitar os modismos do ocidente (são punks com cabelos de crista de galo, heavy-metals com jaquetas de couro e vários outros tipos que parecem saídos de uma rua de Londres) mais cedo ou mais tarde se enquadram e passam a viver como seus pais. Assim tem sido há séculos. É que no mundo adulto japonês não há espaço para a vida alternativa.

 

Vinícius Romanini. “Japão: o outro lado do mundo”.

In: Os Caminhos da Terra, ano 7, n. 8. São Paulo.

Abril, agosto/ 1998.

 

Mais um prédio na noite agitada de Tóquio, a maior cidade de todas as cidades

Os japoneses não são um povo extrovertido, eles são controlados e de uma tranquilidade impressionante para nós ocidentais. No pior terremoto do Japão que aconteceu no começo desse ano, você provavelmente não viu saques às lojas, pessoas correndo desesperadas e outras atrocidades como você veria se isso acontecesse no Brasil.

O país com a maior expectativa de vida do mundo e com o grupo de ser humano que mais vive na Terra (as japonesas) também tem seus períodos de desafios e decadência, o Japão, junto com a Rússia, Alemanha e alguns países do leste europeu vai ter sua população reduzida com o passar do tempo, se o Japão quiser se manter com idade para trabalhar na média de 87,5 milhões de pessoas (registrada em 1995), vai ter que importar 609 mil imigrantes por ano durante meio século, caso o Japão siga essas recomendações da ONU, vai ter 30% da sua população em 2050 de imigrantes e seus descendentes. Isso é quase uma afronta à fechadíssima sociedade japonesa.

Evolução das Maiores Aglomerações Urbanas do Mundo

Nesse post você irá ver o crescimento das maiores cidades do mundo a partir da década de 50 e que vai até 2025.

Ranking 1950 População (em milhões) 1950 Ranking 1990 População (em milhões) 1990
Nova Iorque

12.3

Tóquio

32.5

Tóquio

11.3

Nova Iorque

16.1

Londres

8.4

Cidade do México

15.3

Xangai

6.1

São Paulo

14.8

Paris

5.4

Mumbai

12.3

Moscou

5.4

Osaka/Kobe

11.0

Buenos Aires

5.1

Kolkata

10.9

Chicago

5.0

Los Angeles

10.9

Kolkata

4.5

Seul

10.5

Beijing

4.3

Buenos Aires

10.5

Osaka/Kobe

4.1

Rio de Janeiro

9.6

Los Angeles

4.0

Paris

9.3

Berlim

3.3

Cairo

9.1

Filadélfia

3.1

Moscou

9.1

Rio de Janeiro

3.0

Délhi

8.2

São Petersburgo

2.9

Xangai

8.2

Cidade do México

2.9

Manila

8.0

Mumbai

2.9

Londres

7.7

Detroit

2.8

Jacarta

7.7

Boston

2.6

Chicago

7.4

Cairo

2.4

Beijing

7.4

Manchester

2.4

Karachi

7.1

Tianjin

2.4

Istanbul

6.6

São Paulo

2.3

Daca

6.5

Birmingham

2.2

Teerã

6.4

Shenyang

2.1

Bangkok

5.9

Roma

1.9

Lima

5.8

Milão

1.9

Tianjin

5.8

São Francisco

1.9

Hong Kong

5.7

Barcelona

1.8

Chennai

5.3

 

 

 

 

Ranking 2007 População (em milhões) 2007 Projeção do Ranking de 2025 Projeção da população (em milhões) de 2025
Tóquio

35.7

Tóquio

36.4

Nova Iorque

19.0

Mumbai

26.4

Cidade do México

19.0

Délhi

22.5

Mumbai

19.0

Daca

22.0

São Paulo

18.8

São Paulo

21.4

Délhi

15.9

Cidade do México

21.0

Xangai

15.0

Nova Iorque

20.6

Kolkata

14.8

Kolkata

20.6

Daca

13.5

Xangai

19.4

Buenos Aires

12.8

Karachi

19.1

Los Angeles

12.5

Kinshasa

16.8

Karachi

12.1

Lagos

15.8

Cairo

11.9

Cairo

15.6

Rio de Janeiro

11.7

Manila

14.8

Osaka/Kobe

11.3

Beijing

14.5

Beijing

11.1

Buenos Aires

13.8

Manila

11.1

Los Angeles

13.7

Moscou

10.5

Rio de Janeiro

13.4

Istanbul

10.1

Jacarta

12.4

Paris

9.9

Istanbul

12.1

Seul

9.8

Guangzhou

11.8

Lagos

9.5

Osaka/Kobe

11.4

Jacarta

9.1

Moscou

10.5

Chicago

9.0

Lahore

10.5

Guangzhou

8.8

Shenzhen

10.2

London

8.6

Chennai

10.1

Lima

8.0

Paris

10.0

Teerã

7.9

Chicago

9.9

Kinshasa

7.8

Teerã

9.8

Bogotá

7.8

Seul

9.7

 

Fonte: Population Division of the Department of Economic and Social Affairs of the United Nations Secretariat, World Urbanization Prospects: The 2007 Revision.